MPF investiga ataque de estudantes com arma de choque contra morador de rua
Altemar Sarmento Filho e Antonio Coelho prestaram depoimento na delegacia mas foram liberados
O Ministério Público Federal instaurou uma apuração para investigar o ataque com arma de choque contra um morador de rua. Dois estudantes do curso de direito foram os responsáveis pela agressão que aconteceu em frente a um centro universitário particular na avenida Alcindo Cacela, em Belém, na manhã desta terça-feira (14).
Em vídeo publicado nas redes sociais, um dos estudantes aparece correndo até o morador de rua, o agredindo por trás – mais de uma vez – e depois rindo da situação. Os dois suspeitos foram identificados pela polícia como Altemar Sarmento Filho, apontado como o agressor que aparece nos vídeos, e o que filmava, Antonio Coelho.
O Centro Universitário do Estado do Pará (Cesupa), instituição que os suspeitos frequentavam, disse em nota que os dois foram afastados “imediatamente” das atividades acadêmicas e que a universidade “abrirá procedimento administrativo interno para a devida apuração dos fatos”. Eles informaram também que estão à disposição das autoridades para que “episódios desta natureza não se repitam”.
Reação das autoridades
O ocorrido causou revolta nas redes sociais e o Ministério Público Federal (MPF) se pronunciou. Uma nota foi divulgada pela instituição brasileira informando que “diante da gravidade do episódio registrado em vídeo e divulgado nas redes sociais, o MPF instaurou uma apuração para investigar o ataque com arma de eletrochoque contra uma pessoa em situação de rua, em Belém”.
A iniciativa veio da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão (PRDC), vertente da instituição voltada à defesa dos direitos humanos.
Como primeiras medidas, foram adotadas as seguintes ações:
- Pedido de informações: uma universidade particular local foi oficiada para prestar esclarecimentos sobre o suposto agressor no prazo de 48 horas.
- Representação criminal: o caso foi encaminhado ao Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) para que as responsabilidades na esfera criminal sejam apuradas.
O MPPA disse que a ação dos estudantes configura “crime de lesão corporal, com possível agravante pela vulnerabilidade da vítima e pela reiteração dos ataques”. A instituição afirmou ainda que a defesa da população em situação de rua é prioridade institucional e que os responsáveis serão investigados e responsabilizados “com rigor”.
A Polícia Civil do Pará informou em nota que um boletim de ocorrência foi registrado na Seccional de São Brás, em Belém, e um inquérito foi instaurado para investigar o caso. “Os dois suspeitos se apresentaram na delegacia acompanhados de seus advogados para prestar esclarecimentos”, afirmou a polícia.
Segundo a corporação, o dispositivo de choque utilizado pelos investigados já foi apreendido e será periciado.
Até a publicação desta reportagem não notícias do estado de saúde do morador de rua.
A Jovem Pan entrou em contato com os suspeitos mas não obteve resposta até o momento. O espaço está aberto para futuras declarações.

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