ENTRE O ALTAR E O PALANQUE: QUANDO A FÉ VIRA INSTRUMENTO DE PODER.
Meus nobres e inquietos leitores da Boa Terra de Gente Trabalhadora, a Bíblia continua atual porque ela conhece a natureza humana. O poder muda de roupa, troca de partido, muda de discurso, mas continua sendo poder.
Na época de Jesus, os fariseus gostavam das primeiras cadeiras, das praças cheias e dos discursos religiosos. Falavam em nome de Deus, mas muitas vezes buscavam prestígio e influência.
Jesus advertiu:
“Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas!” (Mateus 23:27)
Em Simões Filho, como em tantas cidades brasileiras, a religião frequentemente aparece nos palanques, nos discursos, nas inaugurações e nas campanhas. A Bíblia é citada, versículos são compartilhados e o nome de Deus é invocado diante das câmeras e dos microfones.
Mas a própria Escritura faz um alerta:
“Acautelai-vos dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores.” (Mateus 7:15)
O apóstolo Paulo escreveu:
“Porque tais falsos apóstolos são obreiros fraudulentos, transformando-se em apóstolos de Cristo.” (2 Coríntios 11:13)
A discussão não é sobre quem frequenta igreja, quem levanta a Bíblia ou quem cita versículos. A questão é outra: os frutos correspondem ao discurso?
Jesus foi categórico:
“Pelos seus frutos os conhecereis.” (Mateus 7:16)
Quando a população presencia crises na saúde, problemas na educação, questionamentos administrativos, disputas políticas e promessas não cumpridas, cabe ao cidadão refletir se existe coerência entre a palavra e a prática.
O ex-prefeito Diógenes Tolentino e o atual prefeito Devaldo Soares, assim como qualquer outra liderança pública, estão sujeitos ao julgamento da população, das instituições e da própria história. O debate democrático permite questionamentos, críticas e avaliações sobre discursos e ações governamentais.
Entretanto, somente fatos comprovados e decisões das autoridades competentes podem estabelecer responsabilidades legais.
A Bíblia também ensina:
“Maldito o homem que confia no homem e faz da carne o seu braço.” (Jeremias 17:5)
O cristão não deve transformar políticos em salvadores nem autoridades em figuras sagradas. O Evangelho aponta para Cristo, não para homens.
Paulo escreveu:
“E, despojando os principados e as potestades, os expôs publicamente e deles triunfou na cruz.” (Colossenses 2:15)
Nenhum governante está acima de Deus. Nenhum cargo é eterno. Nenhum mandato substitui a justiça.
O povo precisa ouvir menos as promessas e observar mais os resultados. Menos discursos emocionados e mais transparência. Menos marketing religioso e mais compromisso com a verdade.
Porque no fim das contas, a pergunta bíblica continua ecoando:
“Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?” (Marcos 8:36)
E como diria o velho cronista: a Bíblia não foi escrita para servir aos poderosos; ela foi escrita justamente para lembrar aos poderosos que eles também prestarão contas.

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