INSS suspende empréstimos consignados do C6 e cobra devolução de R$ 300 milhões
Decisão foi tomada após a CGU identificar pelo menos 320 mil contratos com seguros e pacotes de serviços embutidos; banco nega irregularidades e afirma que recorrerá à Justiça para contestar a decisão
O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) suspendeu novos empréstimos consignados do banco C6 em razão de irregularidades nos contratos da instituição financeira com aposentados pela Previdência Social. O órgão quer que o banco devolva R$ 300 milhões a segurados.
A decisão foi tomada após a Controladoria-Geral da União (CGU) identificar pelo menos 320 mil contratos de consignados com seguros e pacotes de serviços embutidos, em uma espécie de venda casada.
Auditores concluíram que a irregularidade é grave porque reduz o valor líquido disponibilizado pelo banco a aposentados. O INSS proíbe a inclusão de custos extras, como taxas, prêmios e seguros que não tenham a ver com os empréstimos.
O banco só poderá voltar a fazer novos empréstimos consignados quando restituir os valores cobrados indevidamente.
Para poder vender o produto e descontar as parcelas de consignados diretamente na conta dos aposentados pelo INSS, o banco mantinha um acordo de cooperação técnica com o órgão. Este foi o termo rescindido pelo órgão como parte da penalidade.
A decisão do INSS foi tomada com base em uma apuração da CGU, que identificou irregularidades em milhares de contratos de empréstimos entre o C6 e aposentados.
Entre os achados, auditores entenderam que o banco embutiu indevidamente um seguro de R$ 500 em meio ao contrato de consignados. O serviço é fornecido por uma seguradora do JP Morgan, que é acionista de pouco menos da metade do C6.
Dados obtidos pela Lei de Acesso à Informação mostram que, entre 2020 e 2025, o C6 faturou R$ 20 bilhões com créditos consignados. No primeiro ano, quando entrou para esse mercado criando o C6 Consig, tinha 514 clientes. Em 2025, já tinha uma carteira de 3,3 milhões de consignados.
O banco chegou a ser condenado judicialmente a indenizar aposentados que afirmaram ter sofrido descontos sem terem contratado empréstimos consignados. Também já firmou acordo com o Ministério Público Federal para cessar fraudes nesses contratos.
O que diz o C6 Bank
Em nota encaminhada à Jovem Pan, o C6 Bank afirmou que discorda integralmente da interpretação do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e que buscará seu direito de defesa na esfera judicial. Segundo o banco, não houve qualquer irregularidade e todas as normas vigentes foram rigorosamente seguidas.
A instituição também esclareceu que a contratação de empréstimos consignados nunca esteve condicionada à aquisição de outros produtos e que não realiza descontos mensais relacionados à contratação de pacotes de benefícios.
*Com informações do Estadão Conteúdo

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